Discutindo os problemas da Agropecuária
 
 


Consultor da CNA diz que AGRONEGÓCIO brasileiro tende a crescer com a crise econômica mundial


O NOS PRÓXIMOS 10 ANOS O BRASIL DEVE DOBRAR O VOLUME DA EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS DO AGRONEGÓCIO


Agronegócio brasileiro, oportunidades e obstáculos logísticos, foi o tema da palestra proferida pelo consultor de infra-estrutura e logística, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ex-presidente do Banco do Brasil, Luiz Antônio Fayet, nesta terça-feira, 17, na 558ª edição do Agropacto. Convicto de que a crise financeira deve fortalecer o agronegócio, desafiou os produtores locais, na reunião coordenado por José Ramos Torres de Melo Filho, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC).Com os dados levantados, inclusive pelo BID, foi enfático ao destacar entre as oportunidades o fato do país ser hoje o maior produtor mundial de etanol, com percentual em 40%. A continuidade do processo de crescimento e o chamado Efeito Bush ( troca da gasolina pelo etanol na base de 20% em 10 anos), gerará um desequilíbrio adicional no mercado internacional do agronegócio favorecendo o Brasil, afirma. Baseado em dados de 2006, Luis Antonio Fayet afirmou que o cumprimento da meta de 100 bilhões de litros vai abalar o suprimento do mercado internacional de etanol, milho, soja, algodão e, numa fase posterior o de carnes. Com 3,5 milhões /há de cana de açúcar o Brasil produziu 17 bilhões /l de etanol em 2006 e prevê produzir 22 bilhões em 2008.

CRESCER NA CRISE

Segundo ele, o Brasil exporta aproximadamente 100 milhões de toneladas de produtos do agronegócio e, deverá quase dobrar este volume nos próximos dez anos adicionando mais 70 milhões de toneladas. Essas perspectivas de expansão determinarão importantes mudanças na economia e logística do agronegócio brasileiro, o Sul e o Sudeste, que foram os pioneiros da expansão tenderão a se especializar em produtos mais sofisticados e de exportação por contêineres, salvo o etanol que terá a exportação simplificada através de dutos. Já o Nordeste, e especialmente o Ceará tem uma oportunidade de produzir frutas entrando pela entresafra do hemisfério norte, isso se chama valor agregado da produção.

O Brasil é plenamente auto-sustentável, na opinião de Fayet, que alerta para a falta de organização no agronegócio como um obstáculo para os que dele vivem. “A solução do país é colocar renda na mão de quem produz”, defende. Para isso, revelou que a CNA vem desenvolvendo trabalho de identificação de mercado, aptidão e incentivo a competitividade comercial. “Temos 600 milhões de hectares disponíveis para produção de alimentos, isto é muito mais terras e condições do que emergentes como China e Índia”. Temos uma oportunidade grande nesta crise que é a de dobrar nossa produção de alimentos”.
No estudo que elaborou para a CNA ele afirma que a crise mundial nos traz fatores negativos e positivos. Entre os fatores negativos ele citou a crise financeira e a crise de mercado e entre os positivos, citou a busca da economia real, financiamentos e recuperação seletiva. Para Fayet há um paradoxo no setor rural, pois temos natureza favorável, vanguarda na tecnologia mundial, mas em compensação nos deparamos com a insolvência dos produtores rurais.


ESTUDO DO BID

Com base no estudo do BID, Fayet disse que caso o custo de transporte no Brasil diminuísse em 10%, as exportações para os Estados Unidos cresceriam em 43%. Enquanto um corte de 10% nas tarifas americanas de importação representam uma alta de apenas 1,9%. Esse cálculo pressupõe estabilidade mantida nos demais fatores, como cambio e crescimento econômico.

Ao falar sobre os portos, foi lembrado que o estudo aponta que as despesas com fretes marítimos cairiam 20% caso os portos brasileiros atingissem o mesmo nível de eficiência dos Estados Unidos. Comparando os gastos da América Latina e da Holanda – países eficientes. Os países da região gastam, em média, 70% mais de frete para enviar um produto aos EUA do que a Holanda. Cerca de 70% do gasto extra é conseqüência da diferença de composição da pauta exportadora, mas os outros 30% podem ser atribuídos a ineficiência dos portos latino-americanos.

Para tanto, ele apontou novas rotas de escoamento da produção através do novo canal do Panamá, que está previsto para 2010/2011 , o que causará uma revolução na logística junto aos principais mercados da Ásia, que permitirá o trãnisto de navios com o dobro da capacidade atual, mudando radicalmente o transporte marítimo e a logística do Atlântico/Pacífico, diminuindo o percurso que se converte em dólares. Apontou ainda o do Projeto Tegram,-Itaqui-São Luis, considerado um macro-corredor comercial de cargas , com repercussão direta no Porto do Pecém, no Ceará. São Luis está a 4 dias menos de navegação do que Paranaguá, dos mercados do Atlântico que são o destino de aproximadamente 80% das exportações do agronegócio.

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