Discutindo os problemas da Agropecuária
 
 


Experiências empíricas de sertanejos e dados científicos norteiam previsões da Funceme

Durante o Agropacto, produtores de leite denunciam queda de preço do alimento

 

Durante o momento de debates da primeira reunião do Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto), na terça, 2, no auditório da Superintendência do Banco do Brasil, em Fortaleza, o presidente do Sindicato dos Produtores de Leite, José dos Santos Sobrinho, denunciou que o preço do alimento junto ao produtor está ameaçado de cair de R$ 0,60 para R$ 0,40 por cada litro do produto. De acordo com ele, a Cocentral (Cooperativa Central) já recebeu o comunicado da indústria atestando que a cooperativa não deverá receber o leite acima de R$ 0,40 o litro, devido a prejuízos que estão enfrentando. José Sobrinho lamenta o fato e o não funcionamento do Conseleite, que em tese teria a responsabilidade de regular os preços e proteger o produtor que depende da indústria para comercializar a produção.

Na opinião do pequeno produtor de leite de Iguatu, José Mauro Alves Nogueira, presente durante o Agropacto, o custo atual do alimento, cerca de R$ 0,60, mantém apenas a mão de obra, custos com energia, vacinas e outros insumos. Para ele, o excesso de leite que vem de outros estados como Pernambuco, Paraíba, Bahia, vem prejudicando os produtores cearenses que são obrigados a comercializar o produto a um preço menor, exatamente, devido ao excedente.

Quadra chuvosa

“Quando o tejo sai do buraco é porque vai chover” falou o agricultor José Almir de Sousa, durante Agropacto. Segundo ele, está havendo um aumento na quantidade de tejos mortos em sua Região. “Ao sair do buraco o tejo fica desprotegido e sujeito a ação de predadores e da caça humana. Esse indicativo é um bom sinal de que vai chover”, completa o agricultor que possui propriedades em Varjota e Reriutaba e que, inclusive, já recebeu as sementes de milho e feijão e está com sua a plantação em torno de 10cm de altura.

Durante a reunião do Agropacto o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Eduardo Sávio Passos Rodrigues Martins, também concordou com as previsões dos sertanejos, mas as suas informações foram baseadas por dados técnicos. No entanto, começou esclarecendo que nem sempre os prognósticos são usados da forma mais eficiente. Isso porque em muitos casos há dificuldade de compreender e aplicar as previsões. Além disso, há ainda a existência de preconceitos e ideias ultrapassadas quanto a metereologia. Contudo, o presidente, afirma que o prognóstico durante a quadra chuvosa será de quase 700mm no período de fevereiro a março, classificando como chuvas normais e abaixo da média.

Para se chegar à predição Eduardo Sávio explica foram avaliadas as condições dos Oceanos Pacífico e Atlântico e que este ultimo tende a uma mudança climática devido o fenômeno do El Niño. Desta maneira, a Funceme irá acompanhar a evolução dos próximos 30 dias, a partir disso, um novo prognóstico para o trimestre (março-abril-maio) será divulgado.

Segundo o coordenador geral do Agropacto, José Ramos Torres de Melo Filho, e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), disse que o tema foi escolhido propositalmente para o primeiro encontro semanal do ano, com o objetivo de orientar o produtor em qual cultura investir diante das ferramentas utilizadas pela Funceme para as previsões da quadra chuvosa.

El Niño

O principal fator a determinar a previsão de chuvas abaixo da média histórica no Ceará é a atuação do fenômeno El Niño. “A superfície do Oceano Pacífico equatorial ainda está com temperatura maior que o normal, o que caracteriza o fenômeno. Em dez anos de El Niño, oito são de poucas chuvas no Nordeste. A população também precisa saber que o prognóstico dando maior probabilidade de menos chuvas não significa que não choverá. Haverá, inclusive, chuvas fortes em algumas cidades, mas, em todo o Estado, durante os meses de fevereiro março e abril, a tendência é de precipitação abaixo da média. As indefinições da superfície do Atlântico não nos permite apontar qual região deve chover mais. Além, disso, não há como indicar quando exatamente vai começar a quadra chuvosa, somente acompanhando as previsões diária do tempo”, explicou David Ferran, gerente do Departamento de Meteorologia da Funceme.

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