Prenúncio de seca leva Agropacto sugerir programa “Àgua para todos”
Precisamos urgentemente de um plano de emergência para acudir o produtor rural, ameaçado de uma nova seca. A Conab não está conseguindo uma logística para distribuir o milho, principal ração para o rebanho, a água apesar de existir em abundância acumulada em vários açudes construídos não chega ainda em muitas comunidades e hoje, mais de 30 municípios são abastecidos através de carro-pipa, enquanto outros 100 estão solicitando o beneficio; o seguro-safra por outro lado, não pode ser pago, porque o agricultor sequer chegou a plantar, sendo necessário uma Medida Provisória para regulamentar a questão..
Estas e outras dificuldades foram apontadas ontem, 23, pelos integrantes do Pacto de Cooperação da Agropecuária-Agropacto,promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará- Faec no encontro que teve como tema “O prenúncio de uma nova seca no Ceará”, cujo palestrante foi o deputado estadual Cirilo Pimenta, ex-prefeito de Quixeramobim e atual Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. Ele cobrou mais atenção do governo federal e estadual para o setor primário da economia cearense que representa 2/3 da população. È muito bom ter uma siderúrgica, uma refinaria, um aquário, mas o homem deve estar em primeiro lugar, disse Cirilo.
Apontando dados da Funceme, o palestrante disse que os dados indicam para uma seca, “tudo indica que não vai acontecer nem uma seca verde, vai ser muito pior, pois não terá pasto.As chuvas serão muito poucas e mal distribuídas é o que prevê da Funceme”. Diante dewsse fato, o parlamentar prevê um verdadeiro desmanche dos produtores no Estado e exemplificou o caso dos produtores de leite de Quixeramobim, como a principal bacia leiteira com uma produção de 1.200 litros de leite/dia, porque está faltando milho para o gado e “a Conab não tem uma logística para distribuir com eficiência o produto”. Pediu também que à Conab traga soja para o Ceará, produto este que está sobrando no centro–sul e faltando aqui, o Órgão está cobrando um cadastro rigoroso do produtor, quando a Adagri-Agência de Defesa Agropecuária do Estado, tem um cadastro atual e informatizado, faltando ai uma política de integração entre órgãos, que dificulta a vida do agricultor., cobrou Cirilo Pimenta.
Para Cirilo, o Estado formou um grande manancial de água acumulado ao longo dos tempos, o que, de certa forma , tem reduzido nos ultimos anos o drama da seca, sem esquecer os programas sociais do governo federal, o que falta agora “é uma política de distribuição de água que chegue ao homem do campo, sem precisar de carro-pipa".. Em algumas regiões próxima ao Canal da Integração, Açude Castanhão e Banabuiu falta água para o produtor, denunciou o deputado Hermínio Rezende, também presente ao encontro do Agropcato. Os demais integrantes do Agropacto , inclusive os dois parlamentares concordam que sem uma decisão política firme o problema secular da falta d´agua no campo não será resolvido definitivamente. Dinheiro não falta, o que precisa é decisão política, disse Pimenta.
A exemplo da política “Luz para todos”, poderíamos ter um programa “Àgua Para Todos”, sugeriu o Presidente da Câmara Setorial do Camarão, Cristiano Maia. Cristiano Maia sugeriu ainda , que a Assembléia Legislativa e o Agropacto elaborassem documento a ser enviado a Banco do Brasil e BNB para que todos os vencimentos de 2010 fossem prorrogados por 2 anos e abrissem crédito para custeio pecuário e investimento. Na ocasião, o representante do Banco do Brasil, . Artur dos Santos lembrou que em 2008 estavam discutindo renegociação por conta de secas, 2009 era por conta de enchentes e pelo jeito, novamente teriam renegociação propostas por conta de secas, mas como não havia uma lei a respeito, por enquanto teriam que fazer articulações com as agências e os produtores para uma possível prorrogação, vendo caso a caso.
O Diretor de Agronegócio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado-Adece, Francisco Zuza de Oliveira, sugeriu ampliar o programa de poços tubulares rasos já executado no Estado com grande aproveitamento pelos produtores e colocar em prática imediatamente um plano de contingência,que o governo já tem pronto, através da Defesa Civil. Uma audiência pública na Comissão de Agropecuária e Recursos Hídricos da Assembléia Legislativa, e de lá tirar uma pauta de sugestões a ser encaminhada ao governo do Estado, também foi sugerida. O Coordenador do Agropacto, José Ramos Torres de Melo Filho, que também é favorável às medidas, vai solicitar ainda hoje à audiência à Assembléia |Legislativa, para o mais rápido possível, mesmo porque os produtores estão em situação de desespero, à espera de uma ação governamental.
Ass. de Imprensa FAEC/Senar
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