Projeto Baixo Acaraú
Apenas 16% dos lotes são explorados
O gerente executivo do Perímetro Irrigado Baixo Acaraú, Rogério Paganeli, disse ontem durante reunião itinerante do Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense- Agropacto, realizado na cidade de Marco, que dos 507 lotes em funcionamento, apenas 26% contam com sistema de irrigação já implantado, ou seja, 2.913,80ha. Informou ainda que existe uma área licitada sem atividade no total de 4.089,91 há e outra área de 1.026,29 há, pronta para licitação. O projeto fica localizado na cidade de Marco, a 270 km de Fortaleza e beneficia também os municípios de Acaraú e Bela Cruz.
O prefeito de Marco, José Grijalma lamentou que apenas 16% da capacidade do perímetro irrigado são explorados hoje , embora seja ainda a atividade na Região, que emprega mais do que a industria e o comércio, gerando 2.970 empregos diretos. Se chegasse aos 100% o projeto geraria 15 mil empregos diretos, o que poderia ser a redenção econômica da nossa Região, disse o prefeito.
Os dados referentes a primeira etapa do Projeto que foi iniciado em 2001 e previa a implantação de 8 .335 há de terras irrigáveis e que cultiva frutas, como banana, mamão, laranja e manga, entre outros. Mesmo sem concluir a primeira etapa, a gerência do perímetro anunciou que já está iniciando a segunda etapa do Projeto, que envolverá 4. 570 hectares. Inclusive que o DNOCS já está concluindo o Açude Taquara, que será o responsável pelo abastecimento desta etapa do projeto. O Perímetro hoje é abastecido pelos Rios Acaraú . Açude Edson Querioz, Jaibaras e Araras, o que o torna autosuficiente em água e energia., possuindo a uma subestação que garante o fornecimento elétrico.
A grande reclamação dos produtores foi com relação a sustentabilidade do Projeto. . Segundo um dos irrigantes do projeto Baixo Acaraú, Edimar Mesquita de Oliveira, mesmo diante da boa localização estratégica do Perímetro , próximo ao porto de Pecém, o equipamento poderá vir à falência. Isso porque, apenas 9% dos lotes possuem sustentabilidade
Confira os dados da Primeira etapa do Projeto
•PRIMEIRA ETAPA:
>
Área Bruta: 9.642ha
>Área Irrigável: 8.335ha
•NÚMERO DE LOTES DISPONÍVEIS PARA IRRIGAÇÃO:
>Lotes de Pequeno Produtor: 478 Lotes – 3.872ha
>Lotes de Técnicos em Ciências Agrárias: 52 Lotes – 910ha
>Lotes de Empresários: 54 Lotes – 3.248ha
>Áreas Adjacentes: 199 – 305ha
Edimar Mesquita reclamou ainda das políticas governamentais cearenses que estão todas focadas para a agricultura familiar. “E a agricultura irrigada”, pergunta Mesquita. “Há mais de 12 anos que a administração do perímetro não consegue reajustar as tarifas de K2, que é a tarifa pela qual são cobradas as despesas operacionais do Perímetro. Nela estão incluídas todas as despesas para a operacionalização da infra-estrutura de irrigação de uso comum para o objetivo fim que é o de fornecer o volume de água previsto no Perímetro, para cada lote, na vazão, hora e período pré-estabelecido no contrato de fornecimento de água, assinado entre o Distrito e o produtor irrigante.
Ele alertou que se a referida tarifa for cobrada, vai acarretar diversos problemas” antevendo crescimento na divida dos produtores. Ele explica que é preciso realizar parcerias de reorganização e reconstrução do crédito bancário para possibilitar condições reais de renegociação das dívidas rurais, capaz de garantir o pagamento do débito dos produtores e que ele possa continuar produzindo.
Para ele, a crise instalada no perímetro é resultado da falta de assistência técnica prevista no projeto de construção do Distrito Irrigado pelo Dnocs, “que deveria ter prestado melhor assistência aos agricultores da região” ressalta. “A grande preocupação do Dnocs é construir”, completa.
Passados nove anos de sua implantação, o projeto custou aos cofres públicos 250 milhões de reais, visando promover o desenvolvimento da Região do baixo Acaraú, porém precisa de uma grande reformulação para atender melhor aos seus objetivos, critica o deputado estadual Rogério Aguiar, um dos que lutou pela implantação do mesmo. Os problemas de gerenciamento do Baixo Acaraú já foram levados à Assembléia Legislativa, e a população em geral, através de vários pronunciamentos e audiências com a Direção do DNOCS. Ele destaca a necessidade de reassentamento de novos produtores no lugar dos que assumiram lotes sem conhecimento da atividade, abandonando-os em seguida, falta de assistência técnica e orientação e comercialização dos produtos, principalmente de uma grande âncora para absorver a produção , gerando maior numero de empregos.
A visita foi comandada pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), José Ramos Torres de Melo, que é o coordenador-geral do Agropacto, que contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Marco.
Para o Presidente da FAEC a realidade do Projeto de Irrigação é que existe muita ociosidade de terras no Perímetro . “esse grito de alerta e de indignação ainda não foi vencido pelos produtores rurais do Baixo Acaraú, mas continuem indignados e não desanimem na certeza de que sairão vencedores,” disse Torres de Melo. Em seguida, o Presidente da FAEC solicitou apoio ao superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional do Ceará, Flávio Viriato de Saboya Neto, para trazer a estas pessoas a capacitação profissional do Senar na tentativa de minimizar os efeitos da região.
ADECE APRESENTA PECUÁRIA COMO ALTERNATIVA
Na ocasião, o Gerente de Agronegócio da ADECE, Fernando Pessoa apresentou um plano alternativo para os produtores, visando potencializar o distrito de irrigação, trazendo para dentro dele a pecuária leiteira. Esta é uma alternativa válida para dar uma guinada no perímetro, para até 2016 , ocupar até 4 mil hectares com esta atividade no Ceará., disse Fernando Pessoa.
Não se trata de substituir culturas e sim aproveitar a infraestrutura já existente , para uma atividade de grande valor, para atrair novos investidores, focados nas oportunidades e nas necessidades.
Participaram do evento autoridades do segmento agrícola e autoridades políticas, a superintendente do MAPA no Ceará, Maria Tereza Rufino; o representante do BNB, José Airton da Silveira; o prefeito de Marco, José Grijalma; do Sebrae Regional, Tomás Machado; deputado estadual Wéber Araújo e o representante do Dnocs, Getúlio , o representante da ADECE, Fernando Pessoa.
Assessoria de Imprensa FAEC / SENAR-AR/CE
Jornalista Silvana Frota. 3535.8038 / 9981.9640
Jailson Silva (estagiário). 3535.8038 / 9175.0801
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