Adece quer utilizar perímetros irrigados para a produção intensiva de leite no Estado
Para garantir um melhor aproveitamento dos perímetros irrigados, a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) anunciou ontem, 11, durante o encontro semanal do Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto), um estudo que objetiva beneficiar a pecuária leiteira cearenses, aproveitando a disponibilidade hídrica dos polos irrigantes, visando a produção intensiva de leite em áreas irrigadas. De acordo com o presidente da Agência, Francisco Zuza de Oliveira, a intenção é oferecer uma ferramenta analítica aos empresários, mostrando as vantagens de investimento em perímetros irrigados que, até então, impedida pelo Dnocs. “São 110 mil hectares parados em perímetros públicos, com disponibilidade imediata de 7 mil hectares em distritos do Baixo Acaraú e Tabuleiro de Russas”, informa Zuza de Oliveira.
“Não entendo porque a atividade ficou impedida por tanto tempo pelo Dnocs”, disse o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), José Ramos Torres de Melo Filho. Ele acredita que ao implantar o estudo da Adece a produção de leite será ampliada no Estado que possui oito polos produtores, com produção em 85 municípios.
Segundo levantamento da Adece, em 2008, a produção leiteira alcançou o patamar de 425,2 milhões de litros / ano do produto, sendo que, no Estado são consumidos todos os dias 1.552 litros de leite. Apenas 75% da demanda é atendida, pois os produtores cearenses só conseguem ofertar 1.165 mil litros de leite por dia. Os 25% restantes, ou seja, 387 mil litros de leite vem de fora do Ceará, principalmente, de Pernambuco que é hoje o maior produtor de leite do Nordeste.
De acordo com o Presidente da Adece, para produzir leite é preciso ficar atento a soma de três fatores principais: raça, ração e manejo. “Temos períodos secos de três em três anos, por isso os cearenses buscam alimentação alternativa como a palma forrageira, por exemplo”, explica. No entanto, os perímetros públicos possuem uma estrutura hídrica de 17 bilhões de metros cúbicos de água, com 11 bacias hidrográficas e 500 açudes, destes 126 são estratégicos, abastecendo os lotes o ano todo. São 200 mil hectares de área irrigável, apenas 80 mil hectares já são área irrigadas.
Vantagens
Para o consultor Raimundo José Couto dos Reis Filho, representante da Leite & Negócios Consultoria e Assessoria, empresa responsável pelo estudo, disse que o projeto possui importância socioeconômica, já que a cultura leiteira está presente nos 184 municípios do Estado, sendo a terceira atividade que mais gera empregos diretos. Com relação ao gado de corte, apenas 10 produtores cearenses atuam na atividade.
O consultor elencou as vantagens da produção leiteira em sistema intensivo. Para o setor produtivo é vantojoso, segundo ele, por aumentar a produção e oferta de leite em todo o Estado, com maior grau de segurança aos empreendimentos. Além disso, vai atrair novos empresários na atividade, com visão moderna e profissional na condução da bovinocultura de leite, com isso a melhoria do nível tecnológico da cultura.
O setor industrial também ganha com a novidade, já que o sistema intensivo promete garantir oferta do produto durante os 12 meses do ano, diminuindo a sazonalidade da produção, o que deve atrair a implantação de novos laticínios no Ceará. Ganham também os perímetros irrigados, diante a potencialização do uso de terras públicas federais no Ceará. Além disso, com a implementação do estudo, os perímetros públicos terão ampliadas a sua área implantada, diminuindo a inadimplência – de taxas k1 e k2, cobradas nos polos de irrigação - garantindo ainda maior oferta de adubo orgânico que, atualmente, apresenta custos altos com baixa disponibilidade.
“Antes os grandes produtores se instalavam em áreas mais secas do Estado. Agora a grande mudança é que os produtores de leite pretendem ficar mais próximos dos principais centros consumidores do produto”, encerra o consultor.
Pastagem Irrigada
A produção de leite em sistema intensivo de produção a base de pastagem irrigada, apresenta maior eficiência no uso de concentrados durante os 12 meses do ano, com maior produtividade da terra. O estudo prevê ainda reduzir ou até eliminar o uso de tratores e outros equipamentos para as pequenas e médias propriedades, além de eliminar a estacionalidade na produção de forragem, com aumento da eficiência da mão-de-obra. O estudo foi realizado para propriedades de 8, 16, 24, 55, 110 e 220 hectares, com vistas a uma maior rentabilidade da atividade leiteira.
Assessoria de Imprensa FAEC / SENAR-AR/CE
Jornalista Silvana Frota. 3535.8038 / 9981.9640
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