Falta milho no Ceará
Operação de Emergência vai socorrer produtores que querem redução de preço e mais postos de distribuição do produto
Reduzir o preço da saca de 60 kg do milho para R$ 22,14 - o chamado Preço Balcão que, atualmente, chega a custar até R$ 40 em algumas regiões - durante um ano, ou seja, de junho de 2010 até o mês de março de 2011, para manter uma oferta de no mínimo 5 mil toneladas/mês, distribuída conforme a representatividade da pecuária nas áreas de atuação. A ideia dos produtores e que a Conab passe a usar o cadastro da Agência de Defesa Agropecuária do Estado - Adagri, para identificar o número de animais em cada propriedade, para determinar a quota de compra – varia de entre 60kg a 14 mil quilos de milho por produtor - foram algumas das propostas apresentadas no dia, 18, pelos produtores rurais, através de seus sindicatos, federações e associações, durante a reunião semanal do Pacto de Cooperação da Agropecuária - Agropacto. A Conab através de seu gerente de operações, José Afonso Cavalcante, considerou as propostas viáveis de serem implementadas. Somente na avicultura será necessário 420 toneladas de milho/ano.
Conforme estabelecido na reunião, comandada pelo 1º vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará - FAEC, Flávio Viriato de Saboya Neto, será desenvolvida uma verdadeira operação de guerra com a participação de diversos órgãos como SDA, Ematerce, Adagri, CONAB, FETRAECE, OCB, Superintendência Federal de Agricultura do Ceará, todas representadas no encontro semanal. A Assembleia Legislativa esteve representada pelo Deputado Cirilo Pimenta, que destacou a importância de se tomar uma decisão urgente, “haja vista que já está faltando milho em várias regiões do Estado e o gado começa a sofrer sérias conseqüências, já que haverá uma perda de 85% da safra em todo o Estado. Esta logística que vem sendo costurada desde fevereiro com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tem que entrar em prática o mais rápido, antes do mês de junho”, disse ele. O mesmo grupo esteve em audiência semana passada com o Ministro, em Brasília , quando ficou acordada a implantação de uma política diferenciada de preço ao produtor cearense, a exemplo do que ocorreu ano passado no Rio Grande do Sul.
O Diretor da Betânia, Luis Girão, também, sugeriu introduzir a soja como complemento alimentar, que segundo ele, está mais barato no mercado e poderia atender a esta emergência. Segundo Flávio Saboya o Mapa não trabalha com estoques de soja, tendo o produto que ser viabilizado através de empréstimos bancários.
Além dos sete postos da CONAB (Maracanaú, Sobral, Juazeiro do Norte, Russas, Tauá, Crateús e Iguatu) serão utilizados os 17 Postos de atendimento, 71 escritórios e 18 regionais da Ematerce para que o milho possa chegar com mais rapidez na porta da fazenda. A preocupação é fazer com que tudo funcione a contento, mas para isso o produtor tem que se organizar através de suas entidades representativas de classe, disse o vice-presidente da FAEC, Flávio Saboya. “Não há a menor condição de se entregar o milho na porta do produtor, esta realidade tem que ser enfrentada de forma organizada”. Para isso, ele sugeriu ainda a criação de mais cinco Postos de Distribuição, que está sendo discutida com a Ematerce e prefeituras municipais.
O diretor Técnico da Ematerce, Walmir Severo Magalhães, detalhou para os presentes o plano traçado pelo Governo do Estado para socorrer os produtores com a comercialização e distribuição do milho, tão necessário ao rebanho neste momento, e como será viabilizado o acesso dos produtores aos estoques. Ele anunciou ainda que, o Governador Cid Gomes está sensível ao problema, apresentou uma proposta de formação de suporte forrageiro, porque conforme levantamento efetuado pelos escritórios da Ematerce, a partir de agosto o suporte forrageiro estará comprometido, por isso esta ação do milho como complemento alimentar agora é extremamente importante. “O Estado dispõe também de semente de sorgo, para suporte de volumoso”, informa.
A CONAB criará, por Regional, a figura do Agente Cadastrador Itinerante, proposta também apresentada pelos integrantes do Agropacto. A função deste Agente será levantar a demanda dos produtores com a relação a quantidade de milho necessária e encaminhar a relação a este Órgão e ao Banco do Brasil, que na ocasião, se prontificou a dar um atendimento diferenciado aos cadastrados.
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