Discutindo os problemas da Agropecuária
 
 

Produtores reclamam no Agropacto: pecuária está ameaçada por falta de milho no Ceará

Pecuaristas cearenses se reuniram hoje, 06, no auditório da Superintendência do Banco do Brasil, no Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto), juntamente com as suas entidades representativas, para fazer uma avaliação da comercialização do milho em balcão pela Conab, frente a seca que se estende no Estado. Durante a avaliação foram elencados os principais gargalos vividos pelos produtores que vão desde a validação do cadastro até a denúncia quanto a oferta de milho que não está sendo constante nos postos de distribuição.

“Quando o produtor faz o cadastro é que recebe a primeira cota”, explica o 1º vice-presidente da FAEC, Flávio Saboya, que presidiu o debate. De acordo com ele, os encaminhamentos da reunião de hoje culminará em uma audiência com os representantes da Conab (matriz), em Brasília, no dia 18 de julho, para buscar uma solução.

As dificuldades de acesso ao milho vem deixando os pecuaristas temerosos com os castigos da seca que aumentam a cada dia. “Pode acabar com todo o rebanho”, gritou um produtor no auditório, interrompendo o debate. Além disso, Flávio Saboya afirma que atualmente a estrutiocultura não é encarada como atividade econômica, “até foi negado o pedido de cotas para este segmento”, informa.

O pecuarista Décio Pinheiro prevê o “estrangulamento da agricultura familiar no Ceará”. “Há dez anos, eu vendia um quilo bovino por R$ 2,50, hoje é vendido por R$ 2”, avalia o produtor. “Tentei criar caprinos, foi um desastre. As cabras comeram todos os mandacarus que havia na propriedade. A pecuária necessita de energia, com a falta de milho o rebanho cearense corre o risco de ser exterminado”, completa.

No entanto, o criador de caprinos leiteiros da raça Saanen, José Almir, produtor de Reriutaba, recebe mensalmente a cota de 14 mil quilos. Ele explica que só foi possível através da organização de 21 produtores que resolveram comprar o cereal em grupo.

Entraves

De acordo com o gerente de operações da Conab, José Afonso Cavalcante, a remoção de 9 mil toneladas de milho para o Ceará está prejudicada por conta da safrinha que se acentua no Sul, dificultando o transporte.

Outro gargalo é o aumento do número de produtores cadastrados na Conab local diante o quadro técnico reduzido. Para exemplificar, Afonso Cavalcante conta o caso de Senador Pompeu que ano passado havia cerca de 240 produtores e hoje conta com mais de 2000 pessoas cadastradas. O representante da Ematerce, Valmir Severo, sugeriu aumentar o quadro técnico para ampliar o atendimento.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Morrinhos, Ossian Dias, a troca de informações entre o posto de Sobral com a unidade da Conab de Fortaleza tem demorado, “isso atrasa a liberação”. Além disso, ele lamenta que os produtores cearenses estão sem capital para aquisição do produto.

O presidente do Sindicato dos Produtores de Leite, José Sobrinho, reclama que nas bacias leiteiras do Ceará não existe a presença de algum posto de distribuição da Conab.

Sugestões

Na ocasião, os participantes colaboraram também com algumas sugestões. A representante do Movimento Nacional para o Desenvolvimento Sustentável e Integrado do Brasil, Rosália Aguiar, sugeriu a união da Comissão de Agropecuária da Assembleia Legislativa do Ceará a federal e que o cadastro fosse realizado através dos escritórios da Ematerce. Além do decreto de estado de calamidade pública.

O presidente da Associação dos Criadores do Ceará, Paulo Helder, aconselhou que a Conab trabalhe em regime de parceria com as associações para dar celeridade ao laudo, como era feito anteriormente. Na mesma linha, o representante do Sebrae, Germano Bluhum, sugere o convênio de cooperação técnica entre a Companhia e as associações.

Entre as reivindicações, os pecuaristas solicitam a abertura de novos postos de distribuição, solução das dificuldades de transporte, a sugestão de criação de um procedimento emergencial de comercialização, inclusão da estrutiocultura como atividade econômica na Conab.

Para o segundo semestre o gerente de operações da Conab, José Afonso Cavalcante, adianta que a unidade estadual já solicitou mais 27.200 toneladas para o segundo semestre de 2010. Atualmente, o milho balcão é encontrado por R$ 22,14, por cada saca com 60 kg.

O evento contou com a participação de várias entidades, como representante da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileira no Estado do Ceará (OCB/CE), Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), Sindicatos Rurais, entre outros.

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