Discutindo os problemas da Agropecuária
 
 



Torres de Melo diz que há um descompasso entre Produção e Infraestrutura Logística no País

A agricultura brasileira evoluiu consideravelmente nos últimos 40 anos, quando o café era o único produto na pauta de exportação. Segundo dados da CNA, a produção de grãos (soja e milho) no Brasil em 2009, foi da ordem de 56 milhões /ton, dos quais 52% estão concentrados na região Norte, Nordeste e Centroeste, sendo 11 milhões/ton para consumo interno e 7 milhões/ton para exportação. No entanto, dos 56 milhões produzidos apenas 16% são exportados, um crescimento significativo que reflete a importância que deve ser dada a infraestrutura logística, especialmente do transporte via portos e ferrovias que ainda carecem de uma grande infraestrutura visando baratear os custos do frete.

Estas foram algumas das constatações feitas , pelo vice-presidente de Infraestrutura e Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, José Ramos Torres de Melo que fez ontem,1/11 palestra no Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense- Agropacto, na sede do Sebrae-Ce. Segundo ele, com a melhoria do nível de vida da população brasileira o consumo de alimentos vai crescer cada vez mais e neste aspecto o Brasil ainda é a grande fronteira agrícola mundial para produção de alimentos “ mas volto a repetir precisa de infraestrutura logística para crescer”. Baseado em dados da CNA ele disse que o Brasil detém 1/5 das áreas prováveis para plantio no mundo , mas no ranking da infraestrutura ,o nosso país está em 114º lugar no mundo: sendo o 118º lugar no tocante as rodovias, 91º lugar em ferrovias e 13º lugar em número de Portos. Os dados revelam ainda que o Porto de Tubarão em Vitória é o primeiro maior do país, tendo transportado 108 milhões de ton/ano em 2009, seguido do Porto de Itaqui e em terceiro lugar, o Porto Sul da Bahia.

Hoje, somos o segundo maior exportador de alimentos do mundo neste planeta de 7 bilhões de habitantes, graças a ação da pesquisa por intermédio da Embrapa e do médio e grande produtor. Os fatos e os números são incontestáveis: mudamos a geografia da produção brasileira que era concentrada no Sul e Sudeste e hoje o Paraná e Santa Catarina são deficientes em soja e milho. Na visão de Torres de Melo, a nova produção brasileira está no Mato Grosso , que é hoje o maior produtor de grãos do país, seguido do Maranhão e do Piauí, que unidos vão mostrar que o Nordeste vai ter um grande crescimento nos próximos anos.

O diretor da CNA mostrou em números que a Região conhecida como Matopiba, detém 11.047,8% da produção de grãos do país na seguinte proporção: Maranhão: 154,7%, Tocantins: 673,1%, Bahia: 191,9% e Piauí: 77,7%.

A agricultura de pequeno porte vai continuar atendendo a pequenos nichos de mercado, mas a média e grande agricultura é a que vai crescer em grande escala.

Torres de Melo que é também o presidente da Câmara Setorial de Logística do Ministério da Agricultura e Pecuária(Mapa), analisou ainda o problema das ferrovias e hidrovias brasileiras. Quanto as ferrovias, ele disse que o grupo de estudo do Mapa e da CNA, consideram que se faz necessário uma revisão dos contratos de concessão ,aproveitamento das linhas inoperantes, e a elaboração de um código de direito do usuário. Ele disse que a CNA propôs ao Senado federal uma revisão das tabelas referenciais de preços de fretes independente do direito de passagem. Disse ainda , que a ANTT resolveu enfrentar as grandes concessionárias de ferrovias, estabelecendo prazos para ampliação e colocar em funcionamento as que estão inaproveitadas e que o investimento do governo nesta área é ambicioso.

Torres de Melo informou ainda que as hidrovias são um problema que preocupa muito a CNA, que já requereu a aplicação da Lei do Uso Múltiplo das Águas.“Estamos com um projeto aprovado no senado federal, que visa a obrigatoriedade da construção de eclusa simultaneamente a construção da barragem, sem incidir no custo do transporte. Serão 8 barragens e 8 eclusas em projeção no país, finalizou.

O encontro semanal do Agropacto foi coordenado pelo primeiro vice-presidente da FAEC, Paulo Helder de Alencar Braga, e contou com as presenças do ex-secretário de Desenvolvimento Agrário Pedro Sisnando Leite, do diretor técnico do Sebrae-CE, Alci Porto Gurgel, Presidente da OCB, Nicédio Alves Nogueira, Presidente do Sindialimentos, José Alberto Bessa Júnior, Superintendente do Senar-CE, Anizio de Carvalho Junior e de outros diversos representantes de diversos setores produtivos do Estado.

Pensamento de Sisnando

O ex-secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Pedro Sisnando e um dos co-fundadores do Agropcato foi prestigiar ontem, 1/11 a palestra do seu amigo de longas datas Torres de Melo, no Agropacto. Lá, ele anunciou o lançamento do seu 40o. livro, denominado Desenvolvimento Agricola, Industrialização e Pobreza Rural, que quer lançar em uma proxima reunião do Agropacto. O livro com 620 páginas foi editado pelo BNB e Instituto do Ceará.

Sisnando aproveitou para criticar a instalação da Refinaria de Petróleo e de uma Siderurgica de carvão mineral nas dependências do Porto do Pecém,. Segundo ele, "nenhum páis do mundo vai mais comprar frutas e legumes exportados pelo Porto do Pecém, pois estará sujeito a contaminações oriundas destes dois equipamentos, e engatou: 30% da população daquela Região vai morrer de câncer". A constatação de Pedro Sisnando deixou a todos os frequentadores do Agropacto atônitos .

E mais : Com a Transnordestina o milho produzido aqui no Ceará vai todo para o Sul do Piaui, porque não vamos ter competitividade . Hoje ,com a agricultura produzindo 60% do que produzia em 1970, nós a empobrecemos . Já o ex-presidente da Aceav , Bessa Junior manifestou pensamento contrário. Para ele : " Hoje, chega ao Ceará o milho vindo de Goiás que é adquiriro por R$ 35,00 a saca de 60kg , com a Transordestina este custo vai cair para R$ 28,00 a saca do mesmo tamanho.

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